terça-feira, 28 de julho de 2009

Sobre estar só, eu sei
Nos mares por onde andei
Devagar, dedicou-se mais
O acaso a se esconder
E agora o amanhã, cadê?

É como se fosse primavera
O choro existe, mas espera
Pra cair feito suor
É como uma nuvem deslocada
Cheia de sol na madrugada
Inspirando branca cor

Aponta pra fé e rema.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

No amor e na vingança, a mulher é mais bárbara que o homem
Mas nada é tão insone e triste, quanto a falta dessa barbarie
O carinho que eu tinha ontem
O teu sorriso num amanhã

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Inveja é grama seca
Da paz que sustenta
O ser pequeno

E mesmo o veneno expelido
É só apelido
Pra quem busca o supremo

Ter inveja de posse, vá lá
É feio, mas a gente deixa passar
Mas ter inveja de amor
É pra quem nunca vai saber amar

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Bárbara

Não vejo graça na bárbara graça do Rio
E até sorrio um sorriso capenga
Que de saudade já não há quem entenda
Melhor do que a fenda vigiando meus olhos
Digo; até sinto culpa pelo desdém
Mas, lugar nem ninguém tem beleza completa
Quiçá passos encantados de borboleta
Como ela tem

Vejo pouca graça na bárbara graça do Rio
Mas o navio do sorriso brilhante já aponta na Guanabara
E da fenda, saltitante abraço, quase concreto
De certo colorindo o caminho
Chegando enfim, calando os braços abertos
Me enchendo de carinho
E a bárbara graça do Rio se rende
E se estende para a graça de Bárbara
E a graça de Bárbara entende
Que sem ela não sou nada

terça-feira, 16 de junho de 2009

Te pego pela mão pequena
Serena, sem tremor
A mais bonita que já vi

Te levo pela praia
Mesmo com a vaia de gente feia
Ipanema nos sorri

E agradeço baixinho ao Cristo,
Visto que Ele é o ouvido de Deus,
Por te ter ali

A pedra da Gavea nos chama
Vira logo cama
E a gente despenca sem para-quedas
E o medo de morte não aparece
Porque nosso amor amortece o choque

A gente levanta e dá mais um beijinho
E diz baixinho, um pro outro,
O quanto ama.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Rompia-se a linha que demarcava
Cavava-me no espelho
Ou enterava-me no alçapão?
Verdade seja dita, mesmo berrada
Tudo é bem mais que sim ou não
Me livrei da simpatia com o par
Meu lar agora é impar
Me procuro no espelho,
Me lanço ao alçapão
E ainda canto
Pois, possibilidades são multiplas
De um só coração

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Só digo o que se deve
Mesmo não devendo
Sinto que devo não calar

A dívida é grande com o coração
Ele me cobra com o vazio
Que parece nunca se esvaziar

Só não consigo dizer que te sinto
Mesmo! Não sentindo muito...
Porque muito é sempre pouco te dar

E te dou meu tudo
Menos meu amor
Pois meu amor é cego, surdo e mudo
E tenho que levá-lo pra passear