segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Gratidão

Eu sou grato;
Apesar de não ter sapato,
Ando pelo mundo
Vagabundo, artista
O botequim é minha revista
O uísque, o sorriso e o abraço
São meus pães
Mas, mães não são mães
Mãe é mãe!
Ainda mais quando é professora
Matemática e poesia não rimam não
Com todo perdão,
O que rima é: Mãe e coração.
E todo meu legado,
Mais sincero, mais valente
É um grito estridente
De muito obrigado.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Calos

De papel em branco
Tão raso, tão santo
Dúbia, a mente nossa, é feita
Que possa, um dia, ser fábrica
Ser riso de lágrima
Ser coro, segundo a náutica,
De um vento só

Noroeste, sudeste,
Jangada e cipó
Que eu trepe com você
Sem pensar, em momento nenhum,
Como descer;
Ascender à partir dos fogos,
Ao invés de esperar o fogo acender

Os calos não são regras
Muito pelo crontrário,
São pregas na alma, são silêncio
E calado, encontro o que me falta
Enquanto falas como se fosse um cú

Eu nasci nu
E tu?

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Quântico

Quântico cântico
Certo ou não
Da borda pro fundo
Do infinito coração

Todo dia me some uma nota
E me brota a mudez branca
Ensaio a cegueira de José
E o que sobra me espanta

Porque cego, vejo mais do que quem vê
E mudo, canto mais do que quem canta.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Samba e Amor

Vai alta madrugada em Botafogo
Envolvo meus passos no ritmo da canção
Talhada a encanto, suspiro e beleza
No fone interno da minha cabeça

Planejo cada acorde
Para que não te acordes
Desse nosso mundo
Toda pausa é um beijo
E, pra tua "covinha", me mudo

Do teu cheiro no meu braço
Faço um naipe de sopros
E o Baixo Voluntários todo dança
E caminho até em casa, compondo
Porque amor é música
E quem ama não cansa.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Sinestesia

O choro alegre de Anna
Na cama, formava poças
Rosas e sais, lama
Casais ancorados ao cais
Só Anna, só, Anna

Tudo que é sentido
Sentido faz
Calafrio na sauna,
Irresponsabilidade capaz
Só ama quem tem tino?

O sorriso amargo de Anna
Engana. É muito rio
Pra pouco barco
Felicidade gris
Flecha sem arco.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Cadê o Interruptor?

Madrugada a beira mar
A calçada imitava o meu andar
Procurava sem saber o que encontrar
Obviamente ativei minha visão,
Visão de raio x

O desespero me bateu
Meu cigarro de repente se acendeu
Quis gritar, mas minha voz emudeceu
Meus amigos me atiraram à solidão
O que aconteceu?

As vezes as respostas estão no escuro
Cadê o interruptor?



Música pro filme Kabbalah

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Instantim

Quem trocar o tempo pelo vento
Sempre irá chegar
Armado de horários, a mando de sorrisos
Sempre disponíveis em qualquer lugar

Quem corre pra alcançar, cansa de escapar
Num fio que é minuto
Ponteiros tão precisos
Sempre imprevisíveis a quem precisar

Hoje, o vento voa e leva o tempo meu
Não te vejo rir agora,
Mas, quem sabe em uma hora,
Eu encontre o tempo teu
E traga ele pra mim
Só um instantim, só um instantim

Apressa o que é de se viver
Conversa o que é de se matar
Avesso é o resultado. O inverso presumível
E o assovio do vento sempre lá

São, tão leves, corações parados no ar
Olhando seus relógios
Amando de suspiros
Sempre tão incríveis pra poder ficar

Hoje, o tempo voa e leva o vento meu
Não te vejo rir agora,
Mas, quem sabe em uma hora,
Eu encontre o vento teu
E traga ele pra mim
Só um instantim, só um instantim...