segunda-feira, 7 de junho de 2010

Minhas noites de enxaqueca são reveladoras
Mas ao invés de fotos, é como se abrisse uma tela
E a dor maior já nem é a física
Mas sim das imagens que se formam, tão nítidas
E a agonia lancinante passa a ser amante
E se mantém viva, regada a sangue, no peito
Os fios são desfeitos
Mas fica o malogro de uma esperança.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Os dias passam...
O hoje é tão diferente do ontem e o amanhã, tão desconhecido, mas será trilhado, momento a momento, pela tua presença, preenchendo os espaços vazios com a tua criação, com a tua vontade, com a tua necessidade...
Tua alegria ou tua tristeza, tua calmaria
ou tua pressa, tua quietude ou
tua loucura desenfreada...
Mas, tudo isso perde a importância diante daquilo que pulsa silencioso em ti,
abençoando teus passos, amando, amando intensamente cada fio de luz que te compõe, pois sabe esta luz de onde vens.
Se permaneceres atento, verás que é esta luz que dá sentido para teus longos dias, e se a ela te submeteres incondicionalmente, não demora e alcançarás a tua plenitude, a qual se aloja exatamente na tua entrega a este guia, que poderás chamar de amor.
Dá atenção a isto, e somente a isto, e verás
que toda emoção, todo pensamento que dele advir será tão somente para mostrar-te
que és mais e que brilhas intensamente
acima das nuvens escuras que
ainda acreditas serem reais.
Não podes ficar atado àquilo que
não traz a tua alegria, a tua expansão.
Dá atenção a isto para que
tudo possa dar certo,
para que através da tua escolha tu possas crescer e estender o teu crescimento
ao que te espera neste dia.
Quando o teu olhar está voltado para a luz,
o círculo se abre e no seu movimento
encontras o novo.



mamãe

terça-feira, 1 de junho de 2010

Não dormi mais nada
É a saudade elevada à milésima potência
Carência de um peito que é só agonia
Revelia, descompasso
Saudade da paz que há tanto não tenho
Do rapaz que eu só era
Saudade dela!
Juntando os meus pedaços
E me reconstruindo em sorrisos e laços
E abraços e carinhos
Vou voltar pro meu cantinho
Vou sorrir e vou chorar
Não interessa
Só tenho a pressa, a urgência de quem ama
Á beça!
De encaixar de volta na minha engrenagem
A tua peça, minha razão
Sem teu riso a terra pára
E junto meu coração.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Sangramento

Vai, devolve meu formato que hoje o meu sapato já não cabe em mim
Vai, me alforria o peito que hoje a cruz do leito rasga o meu cetim
Vai, renova o guarda-roupa que hoje a carne é pouca pra tanto algodão
Vai mas saiba sobretudo, que hoje o sobretudo arrasta pelo chão

Vai, me autoriza o riso que hoje eu só preciso de mais circo e pão
Deixa eu me esquecer da história, me concede a glória de outra encarnação
Vai que esse meu corpo todo agora é só um porto de injuria e dor
Submerge a nossa nau perdida pra que eu nem consiga relembrar da cor

Vem, reforma a minha alma, remodela a calma com pedra-sabão
Vem, me reconstrói a cara em pedras de carrara, me remenda a construção
Vem, vê se suporta o fardo que hoje o mesmo dardo crava o peito ateu
Vem e me estanca tempo que esse sangramento ainda é sintoma teu


Vinicius Castro

sábado, 29 de maio de 2010

Moinhos de Vento




Cato o vento pra salvar meu cantinho
Cata-vento de carinho

Gira lento como a terra
Rangendo, ode à guerra

Me queimando o coração
Vai o vento espalhando a canção

Busca o peito a água benta; redentora
Mas tudo o que resta me enxarca o olho
Chora.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Num projeto de casa sem janela
Ela já era lembrança
Um cheiro, uma roupa, uma lágrima
Eu criança
Chorona, chorava com um bilhete na mão
Num projeto de casa branca; não amarela
Era o texto que brigava comigo
Eu, já velho vulto
Dou as costas pro amor
E volto a ser luto
Num projeto de casa vazia
Ela era o sorriso
Eu gemia.

terça-feira, 4 de maio de 2010

De pé em pé vou acordando o assoalho
Barulho páreo pra deixar você em pé
Encabulado te aceno de soslaio
Mas o perdão já estava pronto com o café