quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Lua Cris

Se no embrião houvesse cor, palavra, gosto e liberdade
E a idade fosse, nada mais, que ruga vencida
Não suportariam as pontes, edifícios ou escadarias
Se não fossem as notas dos sapatos,
Os sobressaltos dos abraços cheios de melodia

Bastaria um dia
Ouvindo o que não há
Molhando o vazio do berço

Pra se criar o avesso
Um feto suicida
Pois o mundo é de carne,
A dor é divina
Mas, sem música, não há vida.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Lavoura

Coração meu
do escondido castelo teu
do meu sim, rainha

enfim, pensei
no não pisei,
amo mais, mas tanto, que não cabe na linha

e transborda do olhar
e me tira do chão, me faz calar
e enxergar em qualquer direção
eu mais tu, tu mais eu
um par

de mãos suadas,
dadas,
dedicadas a colher amor,
daquele mais novo embrião,
e cozinhar no vapor,
pra fazer chover palavra.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

E.T.

O silêncio é abrigo,
um umbigo pra quem só vê ombro,
o dobro de sorriso pra quem só chora,
embora o choro possa traduzir sorriso.

Nada disso funciona vendo de fora,
agora, sendo só espectador

A dor aí, amigo, vem de dentro
um moedor de sentimento, tudo vira ilusão
a oração passa de leão à traíra
num borrão

Que a mentira não sustenta a alma,
tão pouco a alma alicerça a razão.

Portanto, sejamos senhores de nós mesmo,
digamos não a TV, as tragédias, aos "amigos",
a corrupção

Digamos que fomos abduzidos
e ao invés de culpa e explicação,
trouxemos de volta a música,
a explosão interior

Ninguém mais é amador,
sabendo que a dor é mera colisão
que se repete sem fim

Onde a mente diz que não
e o coração diz que sim.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Teta

Escrevo como um manco
onde a tela é a casa
mas, falta sempre um móvel,
um papel em branco

Por isso hoje sou maneta
mas não sei caminhar,
sou careta, porém
só sei beber

Sou um tanso,
pois aprendo tanto vivendo
que me rendo ao teclado

É errado, eu sei,
mas tenho paciência

Sou um programa sem vinheta,
e digo que, punheta, seria a rima certa,
ou a que a multidão clamaria

Eu masturbo o verso
à revelia,
mas me falta pedra, papel e caneta

Me falta a teta
não o leite.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Roupa Nova

Ainda hoje, um ano depois
te olho de longe,
pois mesmo de perto,
com o rosto colado
meu amor é um deserto,
horizonte

Meio azul colorado,
sul desnorteando,
meio Cabral no oceano

Meu amor por ti é sinceridade,
respeito, sorriso aberto na dor
pôr do sol nascendo,
tipo: "nada pode ser maior"

Se tiver um parágrafo ou uma linha,
só importa é que tua oração seja a minha

E que meu peito seja sempre a tua flor
onde cada pulsar seja um riso,
onde cada lágrima seja uma alegria

Arritmia de se construir uma casa;
tua asa batendo em sincronia
com a linha

Quadrada mil vezes,
mais um terço
do meu verso.

Te amo.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Feliz aniversário pai

Inventei um país
onde os "is" não tem pingo,
mas tem chuva

Desconfiei, mas fiz
como quem quis bingo
e ganhou luva

Fui embora de casa,
pois, na tua asa
aprendi a voar

E digo que,
conheço da vida,
porque sei amar

Pelos pagos, pelas preces;
Por tudo que somos,
eu, meus irmãos, minha mãe

Um reino

Pelo país que criei,
eu teimo!
Quem manda no que entra e no que sai
é meu pai.
Meu rei.

E nada temo.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Rock

Bom mesmo é passar por várias vidas numa só,
ser um simples camaleão sozinho
para, no caminho, desatar os nós

E nele ter a consciência sábia
de que, morre, se esquece e putrifica a lábia,
mas que a alma nunca será pó.