Se no embrião houvesse cor, palavra, gosto e liberdade
E a idade fosse, nada mais, que ruga vencida
Não suportariam as pontes, edifícios ou escadarias
Se não fossem as notas dos sapatos,
Os sobressaltos dos abraços cheios de melodia
Bastaria um dia
Ouvindo o que não há
Molhando o vazio do berço
Pra se criar o avesso
Um feto suicida
Pois o mundo é de carne,
A dor é divina
Mas, sem música, não há vida.
As avenidas, em linhas largas, transbordam em multidão. As ruas, de curvas magras, inventam a direção. O beco, não. É pequeno, egoísta, quer chamar atenção. Forte, fraco, carente e brigão. Todo mundo tem um beco. Um lugar deixado pra lá. Uma mania torta. Louca pra se mostrar. E não há nada mais gostoso. Do que quando, num segundo de olhar A gente descobre no outro. Um beco pra se morar.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Lavoura
Coração meu
do escondido castelo teu
do meu sim, rainha
enfim, pensei
no não pisei,
amo mais, mas tanto, que não cabe na linha
e transborda do olhar
e me tira do chão, me faz calar
e enxergar em qualquer direção
eu mais tu, tu mais eu
um par
de mãos suadas,
dadas,
dedicadas a colher amor,
daquele mais novo embrião,
e cozinhar no vapor,
pra fazer chover palavra.
do escondido castelo teu
do meu sim, rainha
enfim, pensei
no não pisei,
amo mais, mas tanto, que não cabe na linha
e transborda do olhar
e me tira do chão, me faz calar
e enxergar em qualquer direção
eu mais tu, tu mais eu
um par
de mãos suadas,
dadas,
dedicadas a colher amor,
daquele mais novo embrião,
e cozinhar no vapor,
pra fazer chover palavra.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
E.T.
O silêncio é abrigo,
um umbigo pra quem só vê ombro,
o dobro de sorriso pra quem só chora,
embora o choro possa traduzir sorriso.
Nada disso funciona vendo de fora,
agora, sendo só espectador
A dor aí, amigo, vem de dentro
um moedor de sentimento, tudo vira ilusão
a oração passa de leão à traíra
num borrão
Que a mentira não sustenta a alma,
tão pouco a alma alicerça a razão.
Portanto, sejamos senhores de nós mesmo,
digamos não a TV, as tragédias, aos "amigos",
a corrupção
Digamos que fomos abduzidos
e ao invés de culpa e explicação,
trouxemos de volta a música,
a explosão interior
Ninguém mais é amador,
sabendo que a dor é mera colisão
que se repete sem fim
Onde a mente diz que não
e o coração diz que sim.
um umbigo pra quem só vê ombro,
o dobro de sorriso pra quem só chora,
embora o choro possa traduzir sorriso.
Nada disso funciona vendo de fora,
agora, sendo só espectador
A dor aí, amigo, vem de dentro
um moedor de sentimento, tudo vira ilusão
a oração passa de leão à traíra
num borrão
Que a mentira não sustenta a alma,
tão pouco a alma alicerça a razão.
Portanto, sejamos senhores de nós mesmo,
digamos não a TV, as tragédias, aos "amigos",
a corrupção
Digamos que fomos abduzidos
e ao invés de culpa e explicação,
trouxemos de volta a música,
a explosão interior
Ninguém mais é amador,
sabendo que a dor é mera colisão
que se repete sem fim
Onde a mente diz que não
e o coração diz que sim.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Teta
Escrevo como um manco
onde a tela é a casa
mas, falta sempre um móvel,
um papel em branco
Por isso hoje sou maneta
mas não sei caminhar,
sou careta, porém
só sei beber
Sou um tanso,
pois aprendo tanto vivendo
que me rendo ao teclado
É errado, eu sei,
mas tenho paciência
Sou um programa sem vinheta,
e digo que, punheta, seria a rima certa,
ou a que a multidão clamaria
Eu masturbo o verso
à revelia,
mas me falta pedra, papel e caneta
Me falta a teta
não o leite.
onde a tela é a casa
mas, falta sempre um móvel,
um papel em branco
Por isso hoje sou maneta
mas não sei caminhar,
sou careta, porém
só sei beber
Sou um tanso,
pois aprendo tanto vivendo
que me rendo ao teclado
É errado, eu sei,
mas tenho paciência
Sou um programa sem vinheta,
e digo que, punheta, seria a rima certa,
ou a que a multidão clamaria
Eu masturbo o verso
à revelia,
mas me falta pedra, papel e caneta
Me falta a teta
não o leite.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Roupa Nova
Ainda hoje, um ano depois
te olho de longe,
pois mesmo de perto,
com o rosto colado
meu amor é um deserto,
horizonte
Meio azul colorado,
sul desnorteando,
meio Cabral no oceano
Meu amor por ti é sinceridade,
respeito, sorriso aberto na dor
pôr do sol nascendo,
tipo: "nada pode ser maior"
Se tiver um parágrafo ou uma linha,
só importa é que tua oração seja a minha
E que meu peito seja sempre a tua flor
onde cada pulsar seja um riso,
onde cada lágrima seja uma alegria
Arritmia de se construir uma casa;
tua asa batendo em sincronia
com a linha
Quadrada mil vezes,
mais um terço
do meu verso.
Te amo.
te olho de longe,
pois mesmo de perto,
com o rosto colado
meu amor é um deserto,
horizonte
Meio azul colorado,
sul desnorteando,
meio Cabral no oceano
Meu amor por ti é sinceridade,
respeito, sorriso aberto na dor
pôr do sol nascendo,
tipo: "nada pode ser maior"
Se tiver um parágrafo ou uma linha,
só importa é que tua oração seja a minha
E que meu peito seja sempre a tua flor
onde cada pulsar seja um riso,
onde cada lágrima seja uma alegria
Arritmia de se construir uma casa;
tua asa batendo em sincronia
com a linha
Quadrada mil vezes,
mais um terço
do meu verso.
Te amo.
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Feliz aniversário pai
Inventei um país
onde os "is" não tem pingo,
mas tem chuva
Desconfiei, mas fiz
como quem quis bingo
e ganhou luva
Fui embora de casa,
pois, na tua asa
aprendi a voar
E digo que,
conheço da vida,
porque sei amar
Pelos pagos, pelas preces;
Por tudo que somos,
eu, meus irmãos, minha mãe
Um reino
Pelo país que criei,
eu teimo!
Quem manda no que entra e no que sai
é meu pai.
Meu rei.
E nada temo.
onde os "is" não tem pingo,
mas tem chuva
Desconfiei, mas fiz
como quem quis bingo
e ganhou luva
Fui embora de casa,
pois, na tua asa
aprendi a voar
E digo que,
conheço da vida,
porque sei amar
Pelos pagos, pelas preces;
Por tudo que somos,
eu, meus irmãos, minha mãe
Um reino
Pelo país que criei,
eu teimo!
Quem manda no que entra e no que sai
é meu pai.
Meu rei.
E nada temo.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Rock
Bom mesmo é passar por várias vidas numa só,
ser um simples camaleão sozinho
para, no caminho, desatar os nós
E nele ter a consciência sábia
de que, morre, se esquece e putrifica a lábia,
mas que a alma nunca será pó.
ser um simples camaleão sozinho
para, no caminho, desatar os nós
E nele ter a consciência sábia
de que, morre, se esquece e putrifica a lábia,
mas que a alma nunca será pó.
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