segunda-feira, 21 de maio de 2012

Alinhamento

Uni o verso.
Ao inverso do que disse.
Reparei crendice em todo canto
como se fosse música.
E o encanto se tornou túnica,
espanto, murmúria

Sondei a alma
na calma da certeza.
Reparei que era astuto em toda frase,
como se fosse a prosa
a base da destreza.

No momento do raio,
vi que o som era mudo,
e que viver é ponto de vista

Ou luto ou absoluto.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Despertar

Quando amanhece no quintal do meu ser
sinto que viver
já faz parte de mim

E que é preciso bagunçar o final
pra que todo mal
seja limpo enfim

O amanhã é agora pra quer assim
E o que foi
não é nada além de mim

E não há saudade
todos somos eu você
A liberdade vem pra quem quiser se perder
Não há bondade pois a intenção já findou

Só o amor
que brotou do um.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Três Versos

Um mundo refletido no lago
nada na ilusão de ser só isso
um reflexo

Seu "eu" afogado nas partículas densas,
se debate, briga e odeia a si mesmo
um complexo

Não vê que, a qualquer hora,
pode voltar a ser o que é:

Um livro
não apenas três versos.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Continente da Desilusão

E se amar for lucidez?
Viver um ano em três
mais leve que o ar, talvez?
É, eu tenho a impressão
de que o mundo sim é vão,
e corre pra esconder
você do meu querer

Mas não me entrego não!
Eu vim aqui te ver, olhar bem pra você,
pegar na tua mão e sentir que é ilusão
O esforço pra viver
não vai prevalecer.

Deixa meu amor ser barco à vela
e só quem sabe é ela o rumo desta embarcação
Porque a solidão da gente
se perdeu no continente da desilusão.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Lua Cris

Se no embrião houvesse cor, palavra, gosto e liberdade
E a idade fosse, nada mais, que ruga vencida
Não suportariam as pontes, edifícios ou escadarias
Se não fossem as notas dos sapatos,
Os sobressaltos dos abraços cheios de melodia

Bastaria um dia
Ouvindo o que não há
Molhando o vazio do berço

Pra se criar o avesso
Um feto suicida
Pois o mundo é de carne,
A dor é divina
Mas, sem música, não há vida.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Lavoura

Coração meu
do escondido castelo teu
do meu sim, rainha

enfim, pensei
no não pisei,
amo mais, mas tanto, que não cabe na linha

e transborda do olhar
e me tira do chão, me faz calar
e enxergar em qualquer direção
eu mais tu, tu mais eu
um par

de mãos suadas,
dadas,
dedicadas a colher amor,
daquele mais novo embrião,
e cozinhar no vapor,
pra fazer chover palavra.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

E.T.

O silêncio é abrigo,
um umbigo pra quem só vê ombro,
o dobro de sorriso pra quem só chora,
embora o choro possa traduzir sorriso.

Nada disso funciona vendo de fora,
agora, sendo só espectador

A dor aí, amigo, vem de dentro
um moedor de sentimento, tudo vira ilusão
a oração passa de leão à traíra
num borrão

Que a mentira não sustenta a alma,
tão pouco a alma alicerça a razão.

Portanto, sejamos senhores de nós mesmo,
digamos não a TV, as tragédias, aos "amigos",
a corrupção

Digamos que fomos abduzidos
e ao invés de culpa e explicação,
trouxemos de volta a música,
a explosão interior

Ninguém mais é amador,
sabendo que a dor é mera colisão
que se repete sem fim

Onde a mente diz que não
e o coração diz que sim.