Invento não é palavra.
Pois me falta, logo agora
clara como é minha mente,
quente como meu coração,
a percepção de quem mora
mesmo com a certeza de quem já morou
E tombo cada vez que não acredito
e dito, no sonho, as peripécias de ser.
Eu. Você. Nós.
A percepção abandonou a certeza
da mente de gente que diz;
Que quente é o agora, mas falta
sempre "uma hora" pra ser feliz
Claro fica o coração,
quando a palavra é só adorno
e o silêncio é oração.
As avenidas, em linhas largas, transbordam em multidão. As ruas, de curvas magras, inventam a direção. O beco, não. É pequeno, egoísta, quer chamar atenção. Forte, fraco, carente e brigão. Todo mundo tem um beco. Um lugar deixado pra lá. Uma mania torta. Louca pra se mostrar. E não há nada mais gostoso. Do que quando, num segundo de olhar A gente descobre no outro. Um beco pra se morar.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
domingo, 24 de abril de 2011
Enfeite pra quem voa é chão
Deleite pra quem sofre? Não.
Meu balão contorna pedregulhos
e só dá carona pra quem, da lona,
despe o orgulho
Meu bonde é das canções sussurrantes
onde o vento é vocalista,
onde cor não é nenhuma
e o silêncio é mais melodia e menos barulho
Pra quem pisca e diz que vê mais
qualquer panela é tambor
Enfeite pra que doa é pão
Deleite pra quem sofre é amor.
Deleite pra quem sofre? Não.
Meu balão contorna pedregulhos
e só dá carona pra quem, da lona,
despe o orgulho
Meu bonde é das canções sussurrantes
onde o vento é vocalista,
onde cor não é nenhuma
e o silêncio é mais melodia e menos barulho
Pra quem pisca e diz que vê mais
qualquer panela é tambor
Enfeite pra que doa é pão
Deleite pra quem sofre é amor.
segunda-feira, 28 de março de 2011
Falando de Amor
Promessa é dúvida.
Palavra pouco atrevida.
Vida se faz em trinta anos
ou em seis meses
Me apoio na palavra,
pois, de flor rasgada
basta meu nome
Coloco meu fone
e ouço
respingando em cada música
o teu abraço
E olhando pro lado de lampejo,
de supetão,
mesmo nos piores dias,
Me encontro e me perco,
no teu braço, no nosso beijo
E almejo que tudo seja sempre assim
Porque a vida é
o avesso da calma
A vida é o cimento da alma.
E na palma da minha mão,
em uma daquelas linhas,
Aquela maior, exatamente naquele curso,
meu pulso vibra em comunhão
Podem me ditar o melhor discurso,
mas hoje sou o mais feliz
Porque teu habitat é o meu coração.
Palavra pouco atrevida.
Vida se faz em trinta anos
ou em seis meses
Me apoio na palavra,
pois, de flor rasgada
basta meu nome
Coloco meu fone
e ouço
respingando em cada música
o teu abraço
E olhando pro lado de lampejo,
de supetão,
mesmo nos piores dias,
Me encontro e me perco,
no teu braço, no nosso beijo
E almejo que tudo seja sempre assim
Porque a vida é
o avesso da calma
A vida é o cimento da alma.
E na palma da minha mão,
em uma daquelas linhas,
Aquela maior, exatamente naquele curso,
meu pulso vibra em comunhão
Podem me ditar o melhor discurso,
mas hoje sou o mais feliz
Porque teu habitat é o meu coração.
quarta-feira, 23 de março de 2011
Morno
De tudo que não tenho
pouco me falta. Mesmo!
Flauta assobiando no olhar,
mar ancorado em meus pés
e túneis que, na língua, viram beijos
E esse revés?
Espelho meu empoeirado,
maltratado pela ferrugem?
Urgem os meus sistemas,
porque sou louco, pois falta tão pouco,
uma vírgula apenas
E eu aqui,
ao invés de dormir,
escrevendo poemas.
pouco me falta. Mesmo!
Flauta assobiando no olhar,
mar ancorado em meus pés
e túneis que, na língua, viram beijos
E esse revés?
Espelho meu empoeirado,
maltratado pela ferrugem?
Urgem os meus sistemas,
porque sou louco, pois falta tão pouco,
uma vírgula apenas
E eu aqui,
ao invés de dormir,
escrevendo poemas.
sexta-feira, 4 de março de 2011
Vida
Pincel é igual a quadro,
quadro é igual à tinta;
Crase no sorriso,
pinta maquiada;
Nada além de branco,
banco torto;
Qualquer papel é encosto
o bar te finta
Minta, que eu vou te abraçar,
atremar ao teu discurso
"Quinta" vez que te falo
me calo
Milésima vez de absurdo
mudo
E com tudo
não deixo de amar.
quadro é igual à tinta;
Crase no sorriso,
pinta maquiada;
Nada além de branco,
banco torto;
Qualquer papel é encosto
o bar te finta
Minta, que eu vou te abraçar,
atremar ao teu discurso
"Quinta" vez que te falo
me calo
Milésima vez de absurdo
mudo
E com tudo
não deixo de amar.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Passos Largos
E todo coração que leio, na linha,
me parece errado.
Na minha própria poesia;
coração com "s", coração quadrado
Que antes de falar à revelia
eu lia, e ainda hoje o faço;
mas morre todo dia uma palavra,
um espaço
Um traço rabiscando o branco,
uma folia
De todo coração que leio
me falta agora o seu,
aquele sorriso, aquele "quê" que não é meu
felicidade baldia
Hoje a lágrima mancha a métrica,
a melodia
Hoje me sinto mais só.
Vá com os anjos, Moacyr!
me parece errado.
Na minha própria poesia;
coração com "s", coração quadrado
Que antes de falar à revelia
eu lia, e ainda hoje o faço;
mas morre todo dia uma palavra,
um espaço
Um traço rabiscando o branco,
uma folia
De todo coração que leio
me falta agora o seu,
aquele sorriso, aquele "quê" que não é meu
felicidade baldia
Hoje a lágrima mancha a métrica,
a melodia
Hoje me sinto mais só.
Vá com os anjos, Moacyr!
Ensaio
Lá onde nasce o rio da oração
Peixe é só do "bão"
Coração se veste d'ouro
Louro na cabeça é fé
Só não se vai à pé
Necessita um caminhão
Meu quinhão é andar nesse mundo
Eu, minhas "cria" mais minha "muié"
Já que Deus nos deu chão
Na estrada seja o que eu quiser
Peixe é só do "bão"
Coração se veste d'ouro
Louro na cabeça é fé
Só não se vai à pé
Necessita um caminhão
Meu quinhão é andar nesse mundo
Eu, minhas "cria" mais minha "muié"
Já que Deus nos deu chão
Na estrada seja o que eu quiser
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