quinta-feira, 19 de maio de 2011

Oração

Invento não é palavra.
Pois me falta, logo agora
clara como é minha mente,
quente como meu coração,
a percepção de quem mora
mesmo com a certeza de quem já morou

E tombo cada vez que não acredito
e dito, no sonho, as peripécias de ser.
Eu. Você. Nós.

A percepção abandonou a certeza
da mente de gente que diz;
Que quente é o agora, mas falta
sempre "uma hora" pra ser feliz

Claro fica o coração,
quando a palavra é só adorno
e o silêncio é oração.

domingo, 24 de abril de 2011

Enfeite pra quem voa é chão
Deleite pra quem sofre? Não.

Meu balão contorna pedregulhos
e só dá carona pra quem, da lona,
despe o orgulho

Meu bonde é das canções sussurrantes
onde o vento é vocalista,
onde cor não é nenhuma
e o silêncio é mais melodia e menos barulho

Pra quem pisca e diz que vê mais
qualquer panela é tambor

Enfeite pra que doa é pão
Deleite pra quem sofre é amor.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Falando de Amor

Promessa é dúvida.

Palavra pouco atrevida.

Vida se faz em trinta anos
ou em seis meses

Me apoio na palavra,
pois, de flor rasgada
basta meu nome

Coloco meu fone
e ouço
respingando em cada música
o teu abraço

E olhando pro lado de lampejo,
de supetão,
mesmo nos piores dias,

Me encontro e me perco,
no teu braço, no nosso beijo

E almejo que tudo seja sempre assim

Porque a vida é
o avesso da calma

A vida é o cimento da alma.

E na palma da minha mão,
em uma daquelas linhas,

Aquela maior, exatamente naquele curso,
meu pulso vibra em comunhão

Podem me ditar o melhor discurso,
mas hoje sou o mais feliz

Porque teu habitat é o meu coração.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Morno

De tudo que não tenho
pouco me falta. Mesmo!
Flauta assobiando no olhar,
mar ancorado em meus pés
e túneis que, na língua, viram beijos

E esse revés?
Espelho meu empoeirado,
maltratado pela ferrugem?
Urgem os meus sistemas,
porque sou louco, pois falta tão pouco,
uma vírgula apenas

E eu aqui,
ao invés de dormir,
escrevendo poemas.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Vida

Pincel é igual a quadro,
quadro é igual à tinta;

Crase no sorriso,
pinta maquiada;

Nada além de branco,
banco torto;

Qualquer papel é encosto
o bar te finta

Minta, que eu vou te abraçar,
atremar ao teu discurso

"Quinta" vez que te falo
me calo

Milésima vez de absurdo
mudo

E com tudo
não deixo de amar.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Passos Largos

E todo coração que leio, na linha,
me parece errado.
Na minha própria poesia;
coração com "s", coração quadrado

Que antes de falar à revelia
eu lia, e ainda hoje o faço;
mas morre todo dia uma palavra,
um espaço

Um traço rabiscando o branco,
uma folia

De todo coração que leio
me falta agora o seu,
aquele sorriso, aquele "quê" que não é meu
felicidade baldia

Hoje a lágrima mancha a métrica,
a melodia

Hoje me sinto mais só.

Vá com os anjos, Moacyr!

Ensaio

Lá onde nasce o rio da oração
Peixe é só do "bão"
Coração se veste d'ouro
Louro na cabeça é fé
Só não se vai à pé
Necessita um caminhão

Meu quinhão é andar nesse mundo
Eu, minhas "cria" mais minha "muié"
Já que Deus nos deu chão
Na estrada seja o que eu quiser